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Pesquisa do Sebrae aponta que 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição das bets
Pesquisa inédita do Sebrae mostra que 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição das apostas virtuais no Brasil — 57% de forma total e 8,8% parcialmente. Em sentido contrário, 23,5% se declararam contrários à medida, sendo 17% totalmente e 6% parcialmente.
O levantamento foi divulgado depois que sites e aplicativos de apostas começaram a sair do ar em todo o país, em 6 de outubro de 2026, por força da MP 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas atividades.
Impacto no faturamento e no consumo
Nos últimos 12 meses, 26% dos empresários relataram queda de faturamento associada às apostas virtuais, enquanto 23% não souberam avaliar a perda e 51% não identificaram efeitos diretos. Apenas 0,2% registraram ganho.
Entre os entrevistados, 48% perceberam ao menos uma mudança no comportamento do consumidor. As mais citadas foram a redução de dinheiro disponível para consumo (33%), o aumento da inadimplência ou de atrasos (18%), a maior procura por parcelamento ou fiado (11,5%) e a troca por produtos mais baratos (10%).
"As bets trouxeram uma lesão profunda na vida de milhões de famílias brasileiras", afirmou o presidente do Sebrae, Décio Lima. Para ele, "o apoio da maioria dos empreendedores à proibição traduz a urgência de proteger o orçamento da população e de fortalecer a economia real e local".
Reflexo dentro das empresas
Entre os negócios com funcionários, 40% relataram que suas equipes foram afetadas pelas apostas. Os relatos citam endividamento, pedidos de adiantamento salarial, apostas durante o expediente, queda de produtividade e desfalques financeiros. "O efeito das apostas transbordou o faturamento e impactou também a gestão de pessoas", observou Décio Lima.
Com o fim das bets, 38% esperam aumento de faturamento, 42% avaliam que as vendas seguirão iguais e 0,6% preveem queda. Em uma escala de 0 a 10 sobre o impacto na economia local, a média foi de 6 pontos, e 24% atribuíram nota máxima.
Perfil da amostra
Foram ouvidos 1.028 respondentes, sendo 56% microempresas, 22,5% microempreendedores individuais e 21,5% empresas de pequeno porte. Por setor, 53% atuam em serviços, 29% no comércio, 12,5% na indústria e construção e 3% no agronegócio. A distribuição regional reúne Sudeste (55%), Sul (22%), Nordeste (14%), Centro-Oeste (6%) e Norte (3%), com respostas de todos os 26 estados e do Distrito Federal.
Fonte: Com informações de Agência Sebrae

